Teste BikeBlog // microSHIFT XCD 11v para cog 42 dentes

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Depois de ter recebido e testado o microSHIFT XCD 10v 2×10, fui informado pela microSHIFT Brasil que em breve receberia também uma amostra (que na verdade seria um protótipo) do modelo XCD para 11 velocidades. Durante uma visita à Eurobike, o pessoal da microSHIFT Brasil recebeu em mãos dos representantes da fábrica um kit que continha um câmbio XCD 11v, um trocador de marchas e dois cassetes, sendo um 11-40 todo em aço e com a construção semelhante aos cassetes da linha Shimano Deore, e um 11-42, mais requintado e com núcleos em alumínio, semelhante ao Shimano XT.

Como ainda era um câmbio protótipo, assim que eu os recebi do pessoal da microSHIFT Brasil eu publiquei aqui no BikeBlog para todos verem a primeira imagem do kit. Para iniciar, deixaram comigo o cassete 11-40 para que eu montasse em minha bike. Encontrei diversos problemas neste câmbio quando tentei fazê-lo funcionar com cogs de 42 dentes. O câmbio simplesmente ficava fora de todos os parâmetros corretos de ajustes e quando ele conseguia lançar corretamente a corrente no cog 42, ele falharia em alguma outra marcha. Mesmo tendo a informação de que este câmbio funcionava perfeitamente com cogs 40 dentes e talvez com cogs de 42 dentes, eu tinha certeza que seria impossível ele funcionar 100% bem, pois depois de todos os testes que realizei comparando-o com outros câmbios, cheguei à seguinte conclusão: este protótipo era apenas o bom e velho XCD de 10v que tentaram fazer funcionar com cassetes com o maior cog sendo 40 dentes. Os “vícios” e falhas que o câmbio apresentava era a minha prova final disso.

Por fim, a microSHIFT Brasil pediu que eu cancelasse meus testes e devolvesse o kit, pois a nova versão que foi desenhada para cogs de 42 dentes já estava chegando ao Brasil e este que eu estava tentando fazer funcionar iria voltar para a fabrica da microSHIFT em Taiwan.

Quando recebi a nova versão do XCD 11v, tudo estava diferente. Comparando o primeiro câmbio com este novo, lado a lado em minhas mãos, encontrei diferenças nas medidas e angulações das articulações, e no cage do primeiro estava escrito 40T, e deste novo câmbio estava escrito 36-42T. Era uma outra história, vamos esquecer o primeiro e começar tudo novamente com esse novo XCD 11v.

O trocador de marchas microSHIFT XCD 11v

De imediato o câmbio XCD 11v funcionou brilhantemente bem, as trocas de marchas foram precisas e suaves como no XCD 10v. Quando monto componentes Shimano em minha bike, sinto muita falta da maciez e leveza da alavanca do trocador de marchas da microSHIFT. O curso da alavanca é um pouquinho mais longo que da Shimano, e muuuuito mais longo quando comparado com os trocadores da SRAM, porém a leveza da alavanca para subir marchas acaba valendo mais. As trocas realmente são extremamente leves.

Como nada pode ser tão perfeito, os trocadores não possuem a tecnologia onde podemos descer as marchas empurrando a alavanca com o polegar, ou puxando como dedo indicador. Há apenas uma forma de acioná-la, que é puxando com o indicador. Na minha opinião essa forma é a pior. Sempre dou o exemplo a seguir: imagine que você está em uma descida, e brigando com a bike para mantê-la em um single track. Você pega um trecho onde é possível pedalar e aumentar a velocidade da bike, e então terá que descer uma ou duas marchas. Mas ao mesmo tempo, precisa continuar a segurar o guidão firmemente. E para descer as marchas, tem que aliviar a mão para levantar o dedo indicador e deslocá-lo para a esquerda e alcançar a alavanca para liberar as marchas. Chega a ser um pouco complicado e até perigoso.

Já nos trocadores que descem marchas empurrando a alavanca com o dedo polegar, basta que apenas façamos o movimento com a ponta do polegar e “Páct!”, a alavanca foi pressionada e uma marcha liberada. Não é preciso soltar ou aliviar a pressão da mão na manopla.

Na alavanca que sobe marchas do trocador microSHIFT XCD está descrito: “Bearing Inside”, indicando que todo o movimento do mecânismo é feito sob rolamentos, e isso com certeza é um fator determinante que resulta na leveza e maciez que penso ser uma característica fantástica nos trocadores microSHIFT XCD 11v.

Segundo informações da microSHIFT Brasil, um trocador com a opção de descer marcha apertando com o polegar está em desenvolvimento na fábrica, mas eles precisam tomar cuidados especiais com os desenhos que fazem, pois não podem esbarrar em patentes registradas pelas marcas concorrentes. Então é só uma questão de tempo para esta opção estar disponível.

Os cassetes 11-40 e 11-42

Este é o modelo de cassete CS-H110 11-40 de 11v:

Este modelo de cassete tem a construção em aço, com os cogs separados por espaçadores feitos em plástico e rebitados. É semelhante à construção dos cassetes Shimano da linha Deore HG61, HG62 e HG 200/300/400, por exemplo. Apenas o cog 40 dentes (verde) é em alumínio. O peso desde cassete é 552 gramas e sua relação é: 11-13-15-17-19-21-24-28-32-36-40.

Já este, é o modelo com núcleo em alumínio, modelo CS-G110:

A construção do cassete microSHIFT CS-G110 é semelhante ao Shimano XT, por exemplo. Os núcleos em alumínio (cor preta) agrupam os 3 maiores cogs e os 3 subsequentes, e os demais cogs são soltos e separados por anéis em alumínio. A relaçao deste modelo é: 11-13-15-17-19-21-24-28-32-36-42 e o peso fica em torno de 442 gramas.

O câmbio XCD 11v

Montar e ajustar este novo câmbio microSHIFT XCD 11v levou poucos minutos. Na verdade apenas instalei o câmbio e conectei o cabo de aço. Uma voltinha no botão de ajuste fino no trocador e ele já estava trocando as marchas perfeitamente.

As roldanas estão bem diferentes, com os dentes apresentando angulações para que a passagem da corrente por elas seja feita com precisão e sem gerar ruídos. As trocas de marchas são macias e no tempo certo como no XCD 10v. Testei este câmbio utilizando uma corrente Shimano HG600 11v e também uma YBN H11CR. Com ambas o funcionamento foi muito bom e fiquei satisfeito com as trocas de marchas.

A maciez e leveza da alavanca e trocas de marchas é uma característica que eu sempre vou comentar. Se você experimentar, verá que a diferença para Shimano ou SRAM é muito grande. Quando usei Shimano XT M8000 11v, percebi que as trocas de marchas ficaram mais “secas”, o curso da alavanca do trocador ficou menor, e com o câmbio Shadow Plus é certeza que vamos sentir no dedo um peso extra na hora de empurrar a alavanca. A SRAM sempre teve um curso mínimo nas alavancas e trocas rápidas, e isso resulta em uma “pancadinha” a mais no mecanismo do trocador de marchas.

Quando você tiver a oportunidade, experiemente esse trocador da microSHIFT e sentirá na ponta do dedo o que descrevo aqui. Tenho certeza que você irá gostar.

Mas, voltando ao câmbio traseiro…

Mesmo ele trabalhando tão bem, não é perfeito, pelo menos por enquanto. Os câmbios traseiros da microSHIFT ainda não possuem dispositivos estabilizadores de corrente como o Shimano Shadow Plus ou SRAM Type2. E quando se usa coroa única, principalmente quando se usa coroa única, este item se torna indispensável. Segundo informações que recebi, já estão trabalhando em um mecânismo para o câmbio que estabilizará a corrente, e os primeiros protótipos funcionais aparecerão em meados de Junho/2016. (Não vejo a hora! Será que receberei um?)

Um segundo detalhe que percebi no câmbio, é a angulação que ele aplica no cabo de aço quando o mesmo está posicionado na marcha mais leve e depois na mais pesada. Conforme o tempo de uso vai se passando, o cabo de aço vai sendo marcado por esse ângulo. Não andei tempo suficiente e também não posso afirmar que esta característica da construção do câmbio seria responsável por diminuir a precisão nas trocas de marchas. Mas como gosto de apontar todas as características que percebo nos componentes, sejam elas boas ou ruins, mostro-a aqui para todos verem.

Veja as imagens e entenda melhor…

Repare na angulação que o cabo de aço trabalho quando o câmbio está no cog maior (42).

E aqui, quando está no cog menor (11). O cabo de aço fica com algumas marcas de dobras.

Este feedback que passei à microSHIT Brasil foi encaminhado à fábrica, e eles analisam e verificam possíveis alterações para continuarem a melhorar os produtos. Mas, apesar de tudo, como eu mensionei acima, não é uma característica que diminui a precisão e leveza das trocas de marchas. Este foi apenas um detalhe técnico que percebi e acreditei ser interessante comentar.

Remover a roda traseira

Este sim, é um problema um pouco mais crítico.

Por causa do desenho do câmbio, ele não pode ser deslocado para trás com as mãos para que possamos remover a roda traseira da bicicleta. Seu movimento é bastante limitado.
No XCD 10v, este problema é menor. Com um pouco de calma e cuidado, a roda é removida passando pelo XCD 10v sem precisar que façamos nada além de soltar a blocagem, puxar o câmbio para trás e remover a roda.

No XCD 11v, é simplesmente impossível de se remover a roda traseira da bicicleta sem que, primeiro, soltemos completamente a porca de contra-aperto da blocagem do cubo traseiro.

Veja na foto, como o parafuso de contra-aperto da blocagem bate diretamente no câmbio e impossibilita que a roda seja removida.

Isto acontece pelo simples fato do XCD 11v ter a roldana superior posicionada um pouco mais para frente do que no modelo XCD 10v. Esse posicionamento da roldana é necessário para que a corrente seja lançada corretamente no cog 42, mas infelizmente a roda fica presa sem poder ser removida da bicicleta a não ser que a porca de contra-aperto da blocagem seja retirada primeiro.

Mas em um plano geral, o câmbio traseiro microSHIFT XCD 11v vai seu trabalho com louvor. É leve, muito bem construído e funciona muitíssimo bem. Posso dizer que ele tem uma construção bastante simples se levarmos em consideração tudo que ele é capaz de fazer. É a velha teoria que diz, às vezes o menos, é mais.

Conclusão final

A microSHIFT é uma fábrica nova, com cerca de 10 anos de existência. E em comparação às concorrentes, ela também é minúscula. Vejo que ela vem acumulando know-how a cada lançamento e os produtos estão evoluindo rapidamente.

Acredito que as novas versões dos câmbios XCD virão com mais novidades e melhorias, com um dispositivo estabilizador de corrente, melhorias nas articulações que facilitam a remoção da roda traseira e otimização da puxada do cabo de aço.

Mas em um plano geral, se você experimentar o câmbio microSHIFT XCD 11v tenho certeza que gostará bastante. Sentirá que a maciez e a leveza nas trocas de marchas são características que as marcas concorrentes não possuem. Isso marcará em você uma ótima primeira experiência. Você não mais esquecerá dessa leveza em trocar de marchas que tanto escrevo aqui.

Os componentes microSHIFT também são mais leves. Enquanto um cambio XT de 10v pesa 261 gramas, o XCD pesa 204 gramas. Dou-lhe esta comparação pois XT e XCD são tecnicamente compatíveis na questão de construção e requinte de materiais.

Produtos microSHIFT são muito bem vistos e aceitos na europa e, mesmo no Brasil, são muito usados para montagens de bicicletas por comerciantes no sul e norte do país. Em São Paulo ainda há muito da cultura “Shimaneira”, mas quando o consumidor perceber que há ótimas opções e que é possível ter produtos de outras marcas com a mesma qualidade (quando não superior) dos produtos mais conhecidos e preços competitivos, bastará tirar o cabresto e apostar na novidade para se descobrir ótimas opções em produtos.

Marcas como Specialized e Cannondale já apostaram na qualidade dos componentes microSHIFT, e eles não fariam isso por caridade. Se não há qualidade nos produtos, nunca fechariam uma parceria destas.

Portanto seja curioso, experiente, sinta, descubra novas opções.
Como eu sempre digo para meus amigos e clientes: não vá dormir com a dúvida!

Obrigado por acompanharem o BikeBlog!
Um abração e até a próxima!

Fabio S.

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1 COMENTÁRIO

  1. No entusiasmo de apresentar rapidamente as novidades da MicroSHIFT aos ciclistas brasileirosa Wip Importadora, , sem autorização da fábrica taiwanesa, antecipou e cedeu ao Bike Blog as amostras não utilizáveis apresentandos na Brazil Cycle Fair . Àqueles primeiros protótipos haviam sido gentilmente cedidos como amostras não utilizáveis, e não poderiam ser montados para pedalar; tratavam-se apenas de amostras para que o público tomasse conhecimento de como seria a imagem do produto. A Wip importadora se desculpa por ter gerado este desconforto inicial sobre o funcionamento do XCD 11. Lembramos que todos os nossos produtos são feitos e testados exaustivamente pelos técnidos da MicroSHIFT em Taiwan antes de serem liberados a produção em massa, portanto quando chegam ao mercado, já passaram por exaustivos testes de desempenho e apresentam um funcionamento perfeito.
    Respeitamos todo e qualquer comentário feito por ciclistas que tenham utilizado nossos produtos, gostaríamos de responder aos pontos levantados pelo BikeBlog:
    1- sobre o comentário: “tecnologia onde podemos descer as marchas empurrando a alavanca com o polegar” temos a informar que em outros modelos de trocadores/alavancas de câmbio as mudanças de marcha são feitos por um outro sistema de troca, onde se usa o polegar para subir e descer as marchas. – o sistema do XCD, usando o polegar/indicador, foi uma escolha do fabricante para este modelo, e ainda virão mais novidades em breve.
    2- O câmbio traseiro com “estabilizadores traseiros”: Durante a Feira de Taipei será apresentado um protótipo com as novas alterações, estimamos que até a metade do ano essa novidade esteja disponível para o mercado brasileiro.
    3- Sobre a “angulação do cabo de aço”, o modelo XCD é a “resposta” a ansiedade da grande maioria dos ciclistas que buscam um cambio traseiro hiper leve sem perder ou comprometer a relação durabilidade e qualidade. A opção de “Enxugar” ou reduzir peso foi o objetivo deste modelo e com isto conseguimos um câmbio traseiro de apenas 206g. É comum recebermos notícias de ciclistas brasileiros e amantes da marca que já pedalaram milhares de quilômetros com nossos produtos.
    4- Quanto a “remover a roda traseira”: Esse mesmo câmbio foi testado em quadros e rodas das mais diferentes marcas e não foi detectado tal problema. Mesmo assim, solicitamos gentilmente que nos envie via e-mail fotos e informações sobre a bicicleta utilizada no teste para que possamos analisar melhor esse problema apresentado na matéria.

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